quarta-feira, 24 de abril de 2013

2 ANOS DE ASDL/RJ



Dois anos de acolhimento e apoio em situações de perdas, morte e luto
Pela equipe dos “Amigos Solidários na Dor do Luto – RJ”
A dor de perder alguém muito amado é considerada uma das mais impactantes dores que o ser humano pode viver. Nós, do ‘Amigos Solidários na Dor do Luto’, reconhecemos as dificuldades que as pessoas enlutadas atravessam. Enlutar-se pela perda de algo ou de alguém é um processo de intenso. E muito embora a nossa sociedade seja atravessada pelos sinais da morte, das perdas e do luto, todos os dias – as atitudes de negação e de evitação desses temas nos lançam em uma imensa solidão. Ficamos, quase sempre, entregues aos nossos próprios medos, como se evitar falar ou expressar o que sentimos – através dos muitos recursos disponíveis, e não apenas a fala – pudesse nos poupar da dor que a perda nos provoca. Muitas vezes, exige-se pressa, sobretudo em tempos de grande aceleração. A ‘alegria’ é uma ditadura violenta que não dá espaço para a expressão de sentimentos socialmente insuportáveis – como a tristeza, por exemplo. Não dizemos, contudo, que o luto é feito apenas de tristeza e lamento. Ao contrário, o luto é reaprendizado de vida, é possibilidade de lamentar o que foi perdido e, aos poucos, se reconciliar com a perda, construir sentidos para a vida e, lentamente, reaprender a viver.
Em uma única família, cada sujeito enlutado terá uma reação diferente, e não é raro vermos filhos – que também perderam o pai, por exemplo – exigirem que a mãe viúva “volte a ser aquilo que ela sempre foi”. As mais recentes pesquisas científicas sobre o tema, de vários autores consagrados ao redor do mundo, sugerem que cada indivíduo tem um ritmo especial para o seu luto, para a vivência da sua perda – e cada indivíduo precisará de um tempo pessoal e irrepetível para se adaptar a um mundo em que a pessoa amada não está mais presente. Essa é uma tarefa cuja execução vai demandar muitos recursos – internos e externos – para que o luto seja vivido e a pessoa reaprenda a viver.
Nós, os Amigos Solidários na Dor do Luto, acreditamos que podemos viver todas as fases do luto e nos reconciliar com a vida. Até mesmo os lutos que demandarão um acompanhamento mais atencioso podem ser elaborados, podem ser vividos, abrindo espaço para esse reaprendizado. É por esse motivo, tão especial e caro para nós, que comemoramos os dois anos de nossa existência, aqui no Rio de Janeiro. Foram muitas pessoas ajudadas, muitas famílias alcançadas. O nosso trabalho continua justamente porque acreditamos e nos apegamos à crença de que as pessoas podem reaprender a viver no mundo sem a pessoa que morreu.
Assim como o Cruse Bereavement Care, uma instituição inglesa, presidida pelo Dr. Colin Murray Parkes, uma das maiores autoridades mundiais nos temas da saúde mental para perdas, morte e o luto, acreditamos e investimos em um modelo de ajuda comunitária para situações de luto – prevenindo problemas associados ao luto prolongado, oferecendo espaço afetuoso e regular para que haja um clima de confiança necessário às nossas atividades, oportunizando que as pessoas sejam respeitadas em suas dores e nos seus lutos e que possam ter a coragem de suportar a dor da perda, vivê-la e elaborá-la. Nossa abordagem, ainda, não tenta fazer a pessoa enlutada se sentir ótima a todo custo – o que seria colaborar no tamponamento das emoções e impedir a elaboração do luto.
Olhando para trás, são muitas as conquistas. O espaço que conseguimos – que nos permite acolher o público –, a parceria com profissionais da área, o reconhecimento das pessoas que acompanhamos, entre muitas outras coisas importantes e especiais para nós. No entanto, ainda resta muito a fazer. Precisamos continuar na busca por aprimorar o alcance do trabalho, espalhar a ideia para outros estados e buscar manter a mais alta qualidade no acompanhamento de pessoas enlutadas. Nesse sentido, percebemos que a tarefa está quase toda por se fazer. Acompanhe os próximos anos e, se houver algum interesse da sua parte em colaborar conosco, não hesite em entrar em contato e propor alguma parceria, ou simplesmente sugerir mudanças.
Nós estendemos o nosso ‘muito obrigado’ às pessoas que nos dão a honra de cuidar delas. Todos e todas vocês nos possibilitam a grande oportunidade de cooperar para um mundo mais humano, onde a presença da morte não seja tão insuportável, mas que faça parte da vida, que pode e merece ser vivida. Vocês têm nos ensejado a pensar em estratégias de cuidado cada vez mais complexas e mais necessárias para as novas necessidades. Obrigado pela oportunidade de permitir que acompanhemos vocês – com sigilo, respeito e afeto.
Sempre afetuosa e atenciosamente,
Amigos Solidários na Dor do Luto - RJ

Alguém morreu... e agora?




Depois da morte você pode inicialmente se sentir chocado, paralisado, culpado, com raiva, com medo e, possivelmente, sentindo intensamente a sua dor. Estes sentimentos podem mudar, inesperadamente, para sentimentos de tristeza, saudade, solidão - mesmo desesperança e medo sobre o futuro. Mas luto também não é feito apenas de emoções dolorosas: é possível ressignificar a vida, revisar a existência e conferir novos significados à perda. A experiência de cada pessoa enlutada é única, mas essas são apenas algumas das coisas que as pessoas muitas vezes dizem que sentem quando vêm nos pedir ajuda depois de uma morte.


“Eu não sinto nada. Eu me sinto entorpecido.”

O choque pode fazer você se sentir em um sonho por algum tempo. Você pode se sentir confuso e perdido. Esta sensação deve passar com o tempo. Você pode pensar, inicialmente, que nada aconteceu e continuar como se nada tivesse acontecido. Esta é uma forma de gestão da dor da perda e pode ajudá-lo a passar os primeiros dias, quando há tanta coisa para fazer – administrar o velório, o enterro, receber parentes distantes, responder cartas e e-mails, etc.

“Eu me sinto fora de controle. Minhas emoções estão instáveis em todo o lugar - num minuto eu estou OK; no minuto seguinte eu estou em lágrimas.”

Mudanças de humor podem ser muito assustadoras, mas elas são normais. Você pode sentir como se você estivesse em uma montanha russa emocional. Você pode se sentir oprimido e achar que é difícil fazer as suas tarefas diárias. Você pode sentir dificuldades em se concentrar durante várias vezes no dia. Busque agendar as suas atividades mais importantes e tente agir de acordo com as próprias emoções.


“Eu não consigo comer ou dormir.”

As reações físicas para uma morte são muito comuns. Você pode perder seu apetite, ter dificuldade em dormir ou se sentir esgotado o tempo todo. As pessoas também estão frequentemente muito vulneráveis ​​às doenças físicas após uma perda. Se você não está dormindo bem, você pode se sentir mentalmente drenado e incapaz de pensar de maneira linear e organizada. Essas são reações normais ao sofrimento e à perda, e devem passar com o tempo. Mas você deve consultar seu médico, se os problemas persistirem.


“Eu continuo a ouvir a sua voz. Estou preocupado que eu comece a ficar louco.”

Pode demorar algum tempo para você compreender o que aconteceu. Não se preocupe. É muito normal ver a pessoa, ouvir a sua voz, ou encontrar-se conversando com ela, especialmente se ela era uma presença importante em sua vida. Isso pode acontecer quando você menos espera, como se sua mente tivesse temporariamente “esquecido” que ele(a) tenha morrido. Pode ser, também, que você se preocupe que algum dia você possa esquecer a pessoa que se foi definitivamente.


“Eu sinto tanta dor! Eu continuo pensando uma e outra vez sobre o que aconteceu. Eu continuo lembrando sobre cada detalhe de seus últimos dias.”

Esta é novamente uma reação esperada, em especial quando a morte foi repentina e inesperada, ou ocorreu em circunstâncias traumáticas. É a maneira que a mente tem de lidar com o que aconteceu. Você pode sentir imensa dor emocional - algumas pessoas podem avaliar essa dor como “esmagadora” e “assustadora”. Busque compartilhar sua dor com pessoas que te escutem ou escrever sobre ela - ajuda profissional pode ser de grande valia.


“Eu me sinto tão culpado!”

Muitas pessoas falam sobre seus sentimentos de culpa - por estar vivas, quando a pessoa querida está morta; por não ter de alguma forma impedido sua morte; por ter deixado que ela partisse. Você pode encontrar-se constantemente pensando: “Mas e se...”, “Se eu tivesse entrado em contato com o médico mais cedo...” Você pode estar constantemente se perguntando o “por quê?” Por que conosco? Por que isso aconteceu justamente conosco? Por que não posso fazer mais ver fulano? Porque as pessoas boas morrem? A morte pode parece cruel e injusta. Ele pode fazer as pessoas se sentirem impotentes e desamparadas. Essas emoções podem ser muito dolorosas para viver, mas o sentimento de culpa não irá ajudar. É importante tentar se concentrar nos bons tempos, e não insistir em coisas no passado que você não pode mudar. A culpa talvez seja a companheira mais dolorosa da morte. Quando uma doença é diagnosticada como potencialmente fatal, não são raros que os familiares se perguntem se devem se culpar por isto. “Se ao menos eu tivesse notado a mudança antes!” ou “Se eu tivesse buscado um médico mais cedo!” são frases muito frequentes. Entretanto, dizer apenas: “Não se sinta culpado, porque você não é culpado” não é o suficiente. Em geral, podemos descobrir a razão mais profunda desse sentimento de culpa ouvindo essa pessoa com bastante atenção. Quase sempre os parentes se culpam devido a ressentimentos verdadeiros com o falecido. Quem, num momento de raiva, já não desejou que alguém desaparecesse, sumisse do mapa, se danasse? Então, é importante ouvir de maneira apurada, sem censurar, sem ter a pretensão de fazer a pessoa se sentir “ótima” a todo o custo, sem tentar fazer a pessoa se livrar, de um momento para o outro, do sentimento de pesar e do luto que ela ainda experimenta.


“Detesto quando me dizem: ‘Tenha coragem!’, ‘Deus não quer te ver sofrer’, ‘Você precisa ser forte para os seus outros filhos’, ‘Seu marido não gostaria de te ver chorando!’ ou ‘Ele não gostaria de te ver chorando!’.

Frases clichês não ajudam em nada e pode ser extremamente torturante aceitá-las, tais como: "Deus é bom e seu parente não gostaria de ver você chorando"; "Você precisa ser forte para cuidar dos seus outros filhos"; "Bola pra frente!". O mais adequado é manter-se acessível para o enlutado e permitir que ele expresse seus sentimentos dolorosos e seu luto livremente, sem censuras desmedidas.


“Eu me sinto tão zangado com ele. Como ele pôde me deixar assim?”

Você pode encontrar-se cheio de novos encargos diante da família, sem contar com algumas responsabilidades financeiras e domésticas com as quais você não se sente capaz de lidar. Você pode sentir-se muito irritado porque de repente você tem que lidar com todas essas coisas. Você pode sentir-se irritado com alguém que você sente que é responsável, de alguma forma, para a morte daquela pessoa especial. A raiva é uma parte normal do luto, compondo uma resposta natural aos sentimentos de impotência e de abandono. Mas, procurar ajuda profissional pode ser importante, sobretudo se você estiver com a sensação de que nada "está caminhando".

     

1.3. Ajudando pessoas enlutadas

Se você está apoiando outra pessoa devido a um falecimento - família, amigos, colegas de trabalho - estas são algumas sugestões que podem ajudá-lo. Pessoas que estão enlutadas podem querer falar sobre a pessoa que morreu. Uma das coisas mais úteis que você pode fazer é simplesmente ouvir e dar-lhes tempo e espaço para lamentar, chorar ou gritar – se necessário. Se você não souber o que dizer em determinado momento, não diga nada. Evite frases clichês, tais como: “Seja forte!”; “Ele não gostaria de te ver chorando”; “Você está sofrendo por uma razão específica e não pode reclamar pelo que está passando”; “Eu imagino o que você esteja sentindo”; “Eu já passei por coisa semelhante”. Essas frases, embora sejam bem intencionadas, podem ser muito torturantes. Os enlutados ouvem frases assim várias vezes durante o dia e pode ser extremamente estressante ouvi-las e acreditar que elas são verdades absolutas. 
É melhor encorajar a pessoa a falar e, se ela não desejar falar naquele momento, deve-se manter-se disponível para ouvi-la. Prepare-se para recorrer a uma escuta atenta a tudo o que a pessoa disser. Por outro lado, evite o discurso fácil de que a pessoa “deve seguir em frente” em breve, bem como “deve estar pronta para cuidar da casa e dos filhos”. É muito tentador tentar esconder-se atrás dessas respostas ‘fáceis’ e evitar envolver-se. O que for que você disser, venha do coração. As pessoas enlutadas percebem, geralmente, tudo o que não é sincero. Elas percebem claramente quando alguém está fingindo tristeza ou interesse em ajudá-las. 

2. Olhando para o futuro

A vida nunca mais será a mesma novamente depois de um luto, mas o sofrimento e a dor tendem a diminuir e vai chegar um momento em que você será capaz de se adaptar para lidar com a vida sem a pessoa que morreu. Muitas pessoas ficam preocupadas, pensando que vão esquecer a pessoa que morreu: seu olhar, sua voz, seus bons momentos juntos. Há tantas maneiras que você pode manter sua memória viva. Estas são apenas algumas sugestões. Encontre sua própria maneira de manter sua memória viva (Thomaz, s/d):

Ø  Converse suas memórias especiais e sustente a alegria, quando ela vier.
Ø  Escreva as suas memórias em um diário ou em uma agenda.
Ø  Mantenha um álbum de fotos com experiências significativas.
Ø  Mantenha uma coleção de alguns de seus bens especiais
Ø  Datas significativas simbolizam a eternização, a continuidade da vida, o vínculo contínuo e eterno com aqueles que amamos.
Ø  Nas fases iniciais do luto, é possível que essas datas especiais sejam muito difíceis para você. Mas, se você sentir vontade, você pode produzir legado realizando atividades significativas.
Ø  Ritualize com seus parentes, amigos e conhecidos que já não estão ao alcance das mãos: os que morreram, os que estão desaparecidos e o que viajaram para longe.
Ø  Pode ser um ritual bem simples, como usar a cor preferida dele, ou a sua. Ou uma flor, uma comida, um lugar.
Ø  A realização e as características desse ritual serão decisões suas.
“O luto pela perda é o preço que se paga por amar”.
Colin Murray Parkes, 2009

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Elena...vale a pena ver e ler!




Meu encontro com "Elena" - através da generosidade de Petra Costa

Por Rodrigo Luz
Membro da Academia Nacional de Cuidados Paliativos
Membro da Internacional Association for Hospice and Palliative Care

Ser acompanhante e terapeuta de pessoas gravemente doentes e com escassas chances de cura é uma tarefa que elegi para a minha vida – e que me ajuda a construir um sentido para a minha existência. Ao assistir o filme “Elena”, de Petra Costa, me deparei com a questão da morte e do morrer, que diz respeito a todos nós – e pude me emocionar profundamente com a ideia de que podemos compartilhar nossas dores e nossas esperanças com outros seres humanos, e identifiquei uma coisa que repito sempre que possível para as pessoas que me dão a honra de acompanhá-las: “o luto compartilhado é o luto amenizado”.

Cito Norbert Elias, em seu livro “A solidão dos moribundos”, quando ele diz que “não é a morte que cria problemas para os seres vivos”, mas, sim, “o conhecimento” que dela temos, pelo simples fato de sabermos, sim, que todos nós teremos a mesma destinação final. A verdade é que vivemos em uma época de esvaziamento do sentido, em que a reflexão sobre o sagrado e o transcendente é inibida por uma sociedade laica, e que pretende permanecer assim. De fato, o maior desafio que precisamos enfrentar é a construção de uma identidade humanista e aberta, em que a transcendência, o sagrado e o sentido encontrem espaço no âmago das pessoas.

Em nossa lida com pessoas enlutadas pela morte dos seus entes queridos, somos testemunhas do esvaziamento que a morte provoca, justamente porque os rituais em que outrora encontrávamos espaço para construir sentidos e significados estão como que esvaziados, deslocados, enfraquecidos. O filme “Elena”, brilhante e sensivelmente dirigido por Petra Costa, reproduz o que temos visto ao longo da nossa trajetória: é possível se reconciliar com a vida, é possível transformar a dor da perda e construir novos sentidos, é possível reaprender a viver no mundo sem a pessoa que morreu.

A produção cinematográfica evoca, ainda, reflexões sobre o luto infantil, além da compreensão cognitiva da criança sobre a morte, trazendo à tona os debates sobre temas como suicídio, luto, morte e reinvenção da vida. Com respeito ao tema do luto na infância, impossível não citar a falecida professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Wilma da Costa Torres, e suas pesquisas a respeito das perdas e da morte no universo infantil. Wilma identificou que as crianças possuem ideias diferentes a respeito da morte e do morrer, que devem ser levadas em consideração quando formos abordar esses temas com elas.

Um estudo de Maria Nagy foi registrado por Kovács (1992) e serviu como ponto de partida para que se estudasse o conceito da morte e do morrer nas diferentes etapas do desenvolvimento. O estudo primou por uma abordagem onde a idade cronológica foi usada como critério de desenvolvimento. Ele pesquisou a compreensão sobre a morte e o morrer de 378 crianças húngaras na faixa etária entre três e dez anos. Segundo a sua pesquisa, haveria três etapas mais ou menos definidas, a saber:

1. A criança com idade inferior a cinco anos não considera a morte como algo irreversível, além de admitir que haja vida na morte. Nesta faixa de idade, a morte pode ser compreendida como um sono profundo e reversível.
2. A criança entre cinco e nove anos apresenta a tendência em personificar a morte, ora como uma mulher encapuzada e má e da qual alguns poucos podem escapar, ora como uma punição de Deus.
3. A partir dos nove anos, a criança começa a perceber a morte como uma cessação das faculdades biológicas, um fenômeno irreversível, imutável e universal.

Creio, sim, que tanto a criança pequena, quanto a maior percebem a maior parte dos fatos que os adultos lhes ocultam, mesmo que não o expressem através das palavras. Apelam, às vezes, para os jogos, desenhos ou gestos como forma de expressarem seus sofrimentos e evidenciar o seu pouco conhecimento ou o seu medo da morte. Crianças podem expressar sua solidão ao desenharem uma casa vazia, sem portas, com grades nas janelas e ausência de flores no jardim. Além disso, elas podem comunicar suas expectativas em relação à própria morte, rabiscando uma cena de velório ou uma cena de violência. Costuma-se associar a morte com um evento externo e terrível, e não como uma ocorrência natural, que faz parte da existência humana. Algumas crianças, portadoras de doenças crônicas avançadas, em fase final de vida, costumam desenhar borboletas, pássaros, voos mágicos e fantásticos, definindo a própria ânsia por libertação da doença e do sofrimento.

Também cito Young & Papadatou (2003), estudiosos do processo do luto, quando afirmam que “qualquer que seja [...] a perspectiva – evolutiva, social, psicológica ou biológica –, a ligação dos pais com os filhos é geralmente considerada a mais significante, poderosa e duradoura de todas as relações humanas”. É justamente por isso que a morte de um pai ou de um filho não apenas promove a experiência de um intenso sentimento de pesar, mas apresenta, também, “um desafio único ao bem estar futuro e ao desenvolvimento” dos sobreviventes. Nesse sentido, aspectos psicológicos, culturais, sociais, físicos e espirituais interferem no processo de uma forma dinâmica e muito complexa. Nessas breves linhas, gostaríamos de sublinhar o grandioso impacto emocional de perder um filho – sobretudo se a morte ocorrer de forma traumática e, até certo ponto, imprevista e inesperada.

Young & Papadatou, com respeito aos aspectos culturais, advertem que “cada cultura atribui à morte de uma criança um significado único”. Nada mais preciso e verdadeiro do que isso. 

Nesse mesmo sentido, John Bowlby (2004), psiquiatra e pesquisador dos processos de formação e de rompimento de vínculos, teve a oportunidade de analisar, criteriosamente, o luto em outras culturas – percebendo que cada cultura, assim como afirmam Young & Papadatou, possui uma forma muito particular de conferir significados diante da morte de uma criança.

Citando o sociólogo Gorer (1973), Bowlby (2004) afirma que, do ponto de vista dos costumes, “são poucos os traços ou práticas universais encontrados em todas as sociedades humanas”, bem como diz que “todas as sociedades conhecidas falam uma língua, conservam o fogo e têm algum tipo de instrumento cortante; todas as sociedades conhecidas desenvolvem os laços biológicos de mãe, de pai e filho em sistemas de parentesco”. Ou seja: todas as sociedades têm regras que regulam o comportamento sexual, vida familiar e todas elas designam os casais competentes, de forma a legitimar as gerações futuras e a continuidade da vida – uma forma de produção de legado. Bowlby (2004) ainda esclarece que cada sociedade tem “regras e rituais sobre a eliminação dos cadáveres e o comportamento adequado dos enlutados”.

O processo de luto que se segue após a morte de alguém que amamos é extremamente complexo e é marcado, muitas vezes, de uma intensa oscilação. Isso ocorre porque o luto não é um conjunto de sintomas que aparecem após a morte e tendem a desaparecer com o tempo, mas, constitui, sim, um processo multideterminado de fases que se sucedem e se substituem. Essas fases são didaticamente estudadas e expostas por vários autores e, embora elas tenham uma validade e sejam importantes para estudos e pesquisas na área, penso que elas não têm a mesma eficácia quando se tornam um programa ou uma prescrição para o luto – há pessoas que não vivem todas as fases, e a ordem que as fases são vividas comumente se alterna de pessoa para pessoa.

Na primeira fase (choque e entorpecimento), há a dificuldade em compreender e acreditar que a morte tenha acontecido de fato. Muitas pessoas se sentem atordoadas pelo impacto da perda e se descrevem, muitas vezes, como em um sonho - ou pesadelo. Na segunda fase (anseio e busca), há uma dificuldade em reconhecer a perda e uma tentativa de fazer as coisas voltarem a ser como eram antes da morte. Impõe-se o teste da realidade e quase sempre há uma busca por reaver a pessoa novamente. Quando o indivíduo percebe que o retorno da pessoa, com vida, é impossível, os sentimentos de frustração e raiva podem vir à tona. Na terceira fase (desorganização e desespero), é comum a dificuldade para se concentrar, e o enlutado pode tornar-se profundamente triste. É nesta fase que ele se dá conta de que o falecido não voltará mais, o que o deixa confuso, com medo, e incerto sobre seu futuro. Na quarta fase (reorganização e recuperação), o enlutado começa a reconstruir a vida sem seu ente querido. É possível abrir mão de recuperar a pessoa perdida, são construídos sentidos para a morte da pessoa, e os sobreviventes podem reconstruir suas vidas.

O luto que não segue um bom curso pode ser compreendido e descrito quando há entorpecimento por um período de tempo muito extenso (ausência prolongada de pesar consciente ou fingimento de que as coisas podem seguir como se nada tivesse acontecido); quando há dificuldade em acreditar na morte (ou acreditar na sua reversibilidade) de maneira intensa e persistente por muito tempo após que ocorreu a morte; sensação de vazio existencial, sem realização na ausência da pessoa, com a apresentação de sintomas e/ou comportamentos de risco semelhantes aos da pessoa que morreu; sensação de caos absoluto por um período extenso e sem que o enlutado encontre recursos para elaborar a perda e ressignificar a vida; inabilidade para confiar nas pessoas; dificuldade intensa e desproporcionada em dar prosseguimento à vida (fazer novos amigos, desenvolver interesses); ausência de emoção desde a perda; sentimento de que a vida não tem importância e sentido, com forte presença do sentimento de desesperança em grau extremo. Em todos esses casos, torna-se necessário o acompanhamento com profissional da saúde mental que esteja habilitado para cuidar de pessoas enlutadas – de forma a iniciar o desenvolvimento de uma intervenção específica e que leve em conta o doloroso processo de mudança.

A Inevitabilidade da Morte é um temor constante e que, segundo Yalom (2006), encontra-se abaixo da superfície de todas as pessoas. A ansiedade causada pela morte se manifesta quando as nossas tentativas de nos adaptarmos, ou de minimizar ou negar a morte falham, especialmente em momentos de perda, de morte de pessoas próximas, ou quando somos confrontados com limitações da vida, como quando recebemos o diagnóstico de uma doença que ameaça a vida, como o câncer.

O conceito de Liberdade Existencial diz respeito a uma falta de base assustadora resultante da ideia de que somos os principais responsáveis por nossas vidas. E somos, de fato, responsáveis. Claro que há fatores externos que não dependem (unicamente) de nós – questões genéticas, sexo, altura, doenças, etc. A questão do Isolamento é uma preocupação existencial de grande importância, principalmente quando pensamos em nossa própria morte – conforme sugere Yalom. O isolamento existencial não se refere à solidão intra ou interpessoal, ou ao isolamento social, mas sim à noção de que teremos que enfrentar os principais desafios de nossa existência sozinhos (ex: nascimento, morte). Com sorte, teremos a companhia daqueles que nos amam, mas, por mais que neguemos, eles não poderão seguir a jornada até o final conosco... Naturalmente, quase sempre desejamos, esperançosamente, nesses derradeiros instantes, que todas as nossas lembranças sejam a nossa ponte com o mundo – mundo este que estaremos deixando, através da nossa própria experiência do processo de morrer. Por fim, a questão da Ausência de Significado. De acordo com Breitbart (2003), nós reagimos à questão existencial da ausência de significado por meio da vontade e da criação de significado, para que possamos suportar a vida. Na falta de um significado evidente atribuído à vida, nós buscamos significado em um mundo incerto, intangível. Essa “busca por significado cria o nosso senso de valores” (Breitbart, 2003).

Naturalmente, quando falamos da questão do Sentido da Vida, impossível ignorar o trabalho de Viktor Frankl. Para Frankl, a vida tem um sentido até o seu último minuto e a vontade de encontrar um sentido é uma motivação essencial do comportamento humano. Frankl, no decorrer da sua obra, acentua que todas as pessoas têm a liberdade suprema de escolher a atitude que terão diante do sofrimento. Para ele, as três fontes básicas do Sentido da Vida provém do “trabalho”, das “realizações pessoais” e da “dedicação a causas” – ou aquilo que Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra suíça, chamou de “tarefas inacabadas” (Kübler-Ross, 1987). É através dessas fontes vitais que é produzido o nosso legado, um elemento essencial para manter ou acentuar o sentido da vida. Através da produção desse legado, mantemos ou acentuamos o propósito de nossas vidas – justamente porque algo significativo que produzimos permanecerá depois da nossa morte. Esse legado pode ser uma atividade, uma frase, um exemplo, uma criação de arte – algo que nos represente, quando estivermos ausentes.

"Elena" aborda, ainda, os impactos multi e transgeracionais do suicídio, a partir da vivência de uma menina de 7 anos de idade, assim como os impactos psicossociais em seu desenvolvimento e na estrutura familiar, acenando para o fato de que a morte por suicídio corresponde a um tipo de perda que produz um desafio único à saúde mental dos sobreviventes. No entanto, ainda assim, é possível reinventar e se reconciliar com a vida, depois de vivido o processo de luto. O filme, em essência, fala de um ser que perdoa e um que é perdoado. É um filme de reconciliação. Havia uma criança ferida, magoada com a ausência de um ser amado, petrificada, amedrontada pelos fantasmas da culpa pela sobrevivência, do medo de perder novamente, mas que consegue perdoar a vida, perdoar a existência, perdoar a irmã e perdoar a si mesma. 

O filme “Elena”, profundamente acolhedor, sensível e humano, resgata a essência do viver, transformando a dor da perda em possibilidade de ressurreição de vida. Traz para nós, também, a coragem de viver os nossos próprios lutos, rever as nossas situações inacabadas, procurar construir sentidos para a nossa vida e lidar com os nossos ausentes com coragem e fé. Entre sonhos, cartas não enviadas, diários, anotações íntimas, laudos médicos e psicológicos, apreciações e depreciações, produções caseiras e filmes amadores, danças e representações artísticas, “Elena” estimula que o espectador entre em contato com as próprias tristezas, e, a partir desse contato e dessa necessária elaboração, reconstrua a própria vida, e que viva sim, viva plenamente.

Obrigado, Petra, por ser imensamente generosa conosco. Sua história certamente irá ajudar outras vidas a se reconstruírem e a se reinventarem, através de um legado que pretende e promete cuidar de muitos corações sofridos, por muitas gerações, em suas dores e em seus lutos, para que possam voltar a acreditar no valor do amor e da solidariedade.

Referências Bibliográficas

BREITBART, W. McCLAIN, C., ROSENFELD, B. Effect of spiritual well-being on end-of-life despair in terminally-ill cancer patients. Lancet 2003; 361: 1603–07.
BOWLBY J. Apego e Perda. Vol. 1: Apego. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
________. Apego e Perda. Vol. 2: Separação. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
________. Apego e perda. Vol. 3: Perda. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
ELIAS N. A solidão dos moribundos. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
FRANKL, V. Em busca de sentido. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.
KOVÁCS MJ. (org.). Morte e Desenvolvimento Humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.
KOVÁCS MJ.  Educação para a morte: desafio na formação dos profissionais de saúde e educação. In: Morte e existência humana: caminhos de cuidados e possibilidades de intervenção. Coord.: Maria Júlia Kovács. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
KOVÁCS MJ. Educação para a Morte. In: Cuidados Paliativos: discutindo a vida, a morte e o morrer. Org.: Franklin Santana dos Santos. São Paulo: Editora Atheneu, 2009, pp. 45 – 58.
KÜBLER-ROSS E. On Children and Death: How Children and Their Parentes Can Do Cope with Death. Touchstone: 1987. Tradução Livre.
PARKES CM. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus Editorial, 1998.
PARKES CM. Amor e perda: as raízes do luto e suas complicações. São Paulo: Summus Editorial, 2009.
PERINA EM. Estudo clínico das relações interpessoais da criança com câncer nas fases finais (dissertação de mestrado). Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 1992.
SAUNDERS C. Cicely Saunders: selected writings. New York: Oxford, 2004.
TORRES W. A criança diante da morte: desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.
YALOM, I. D. Os desafios da terapia: reflexões para pacientes e terapeutas. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.
YOUNG B; PAPADATOU D. Infância, Morte e Luto através das Culturas. In: Morte e Luto através das culturas. PARKES CM; LAUNGANI P; YOUNG B (org.). Lisboa: Climepsi Editores, 2003.

sábado, 13 de abril de 2013

Saudade...


Grata aos ASDL/PR postagem muito boa!


Saudade, uma das mais belas palavras da língua portuguesa e um dos mais intensos sentimentos que podemos experimentar na existência.
A saudade está diretamente ligada ao amor e à paixão, independente de pelo que ou por quem nos apaixonamos, o que, ou quem amamos: um ser, uma situação, uma fase de nossas vidas...
A saudade, quando associada a uma pessoa é um tipo de dor, um tipo de ausência, um vazio imenso. Chega a ser tão intensa que pode ser sentida fisicamente como uma dor diferente de todas as outras, uma dor que ironicamente nos faz bem, porque de alguma maneira nos faz sentir conectados a quem amamos. É como se a pessoa estivesse muito próxima, mas não pudéssemos tocá-la...

Por isso, costumo definir a saudade como a presença intensa e constante de alguém ausente!

Saudade é um profundo sentimento de conexão, um elo invisível de ligação que nos mantêm, onde quer que estejamos, sempre “próximos” de quem lhe deu origem.
Quando observarmos a saudade no âmbito das pessoas, somos convidados a perceber que a unicidade de cada ser humano, sua energia, seu carisma, suas particularidades, expostos na sua maneira de pensar e agir, impregnam o ambiente e as nossas percepções. A saudade é uma espécie de fome e sede do magnetismo dessa personalidade que nos faz tanta falta.
Sentimos falta do tom de voz, da maneira de falar, de suas atitudes mais simples e, no caso do amor, de tudo, absolutamente tudo que atinge os nossos cinco sentidos. Sentimos falta do cheiro da pele da pessoa amada, da sua respiração, da expressão dos seus olhos, de seu sorriso, do seu toque... Sentimos falta até do que ultrapassa os cinco sentidos: da presença espiritual dessa pessoa, do contato com sua alma. Preferimos ter a pessoa perto de nós, mesmo na ausência de contato direto com ela. O simples fato dessa pessoa existir e estar a nosso lado nos basta.

A saudade é a maior expressão do amor verdadeiro no âmbito das relações afetivas.

Parafraseando o poeta Coelho Rangel, podemos dizer que saudade é o anseio do rio que chega ao mar; e sem saber de onde veio, tem vontade de voltar.
Esse pensamento de Coelho Rangel deixa claro que saudade é o desejo intenso de reunir o que já esteve unido e, mesmo tendo se separado não perdeu a unidade. É o desejo de unir fisicamente o que nunca esteve separado em espírito. A saudade, sem dúvida é a memória do coração.
A saudade amorosa é bem definida nestes versos de Vinícius de Moraes:



Como dizia o poeta  

"Quem já passou por essa vida e não viveu  
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu  
Porque a vida só se dá pra quem se deu 
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu  
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não  
Não há mal pior do que a descrença 
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão  
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair 
Pra que somar se a gente pode dividir  
Eu francamente já não quero nem saber  
De quem não vai porque tem medo de sofrer  
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão  
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não”

Mas a saudade não está presente apenas no amor e na paixão dos amantes, ela é também uma ponte entre o presente e o passado.
Saudade de nós

Não sentimos saudade apenas das outras pessoas, muitas vezes sentimos saudades de nós mesmos, da pessoa que fomos antes que algum acontecimento, decepção ou frustração nos transformasse em alguém diferente, às vezes irreconhecível. A saudade é um caminho onde as lembranças buscam encontrar as marcas do que fomos.
Quando sofremos uma dor intensa, seja de que origem for, na tentativa de fugir da dor, usamos nossa criatividade para elaborar um outro “eu”, um “eu” que teoricamente, por ser diferente, por ser outro, não precise carregar aquela dor. Passamos a agir como se fossemos uma outra pessoa, mas na verdade, na intimidade do ser, sabemos que não somos e, passamos a sentir saudades de quem verdadeiramente somos. Mas voltar a ser quem fomos implica enfrentar nossas dores deixadas para trás na velocidade de nossas fugas. Esta saudade dói e dói muito, corresponde à vontade de fazer um caminho de volta para um lugar (nós mesmos) especial e desejado, mas o caminho não é prazeroso, a estrada não é plana e a viagem não é confortável.

A saudade de si mesmo é talvez a mais dolorosa de todas, porque estar na praia sem poder entrar no mar é sem dúvida o lugar mais distante que podemos estar do próprio mar.

Acontecimentos marcantes, alegrias intensas, fases e idades anteriores, tudo isso possui magia e poesia observadas da ponte da saudade. O tempo e a distância evidenciam e valorizam as coisas mais simples. Assim como a fome é um excelente tempero, a saudade tempera nossas vidas.
Do presente, olhamos o passado com saudade, saudade que não sentíamos àquela época, ou porque não percebíamos o seu valor, ou porque agora estamos superestimando este valor comparado a um momento atual de menor significado.

A saudade é a ponte entre o presente e o passado. Ela nos permite visitar o passado, reviver cenas e emoções, mas não nos permite permanecer no passado. Sempre que cruzarmos a ponte teremos que voltar. Tentar permanecer vivendo no passado causa uma ruptura grave e de sérias consequências no presente. No futuro teremos muitas saudades do presente, então, é melhor vivê-lo plena e intensamente, porque pior do que a saudade do que vivemos é o arrependimento do que poderíamos ter vivido e não vivemos.

Podemos medir nossa vida pela natureza e intensidade das nossas saudades. E para estarmos seguros de que a vida está valendo a pena, devemos observar se o momento presente será digno de saudades no próximo segundo.

Lembrando os versos clássicos e maduros de Francisco Octaviano em “Ilusões da Vida”:


“Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu
[...]
Quem passou pela vida e não sofreu
Foi espectro do homem, não foi homem. 
Só passou pela vida, não viveu.”

Recordar é viver, mas viver é melhor! Viva intensamente o momento presente e deixe que a saudade seja “apenas uma foto” de um filme onde você é o protagonista. Um filme que ainda lhe reserva as melhores cenas da história, esta mesma história cuja saudade conta os capítulos anteriores!
Que o making of de sua vida seja tão interessante quanto o filme pronto e que as lágrimas da saudade não borrem porque você escolheu viver sem maquiagem. A personagem é você, o resto são detalhes, detalhes difíceis de esquecer porque pertencem a você!

A saudade não deve ser uma algema a te aprisionar ao que já passou, mas uma janela de onde você pode observar que, da mesma forma em que as dificuldades passaram e a beleza de cada momento permaneceu, a vida continuará valendo a pena de agora em diante e oferecendo oportunidades de sentir novas e melhores saudades a cada instante.

fonte: vya estelar